Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2026

Uma mulher prisioneira

* sobre a fantasia amorosa ou dependência emocional* Via a s pessoas voltando às suas casas, loucas por um banho, um cheiro de sabonete,  coisas familiares. O arrepio. Via a eles dois, lutando indefinidamente. A bondade e o egoísmo, o branco e o negro, o romantismo e o sarcasmo. Percebia  que ele   já não suportava essa perseverança. Mas Llia  tínha medo. Medo da solidão. De não conseguir concretizar planos e projetos, um sem o outro. Ela sem ele, sem seu olhar, sua atenção. Talvez fosse o amor disfarçado em uma das suas mil formas. As pessoas são tão simples e tão cruéis, pensava Lia.  Como acreditar nos vizinhos, nos transeuntes, naquele senhor idoso que descansava sob a cadeira, na calçada? Como acreditar  naquelas tuas maduras constatações sobre humanidade? Era uma guerra genuína e maluca entre casais, entre vizinhos pela alegria de manter princípios. Um foguete atravessava um céu  carregado mas sem nuvens, sem nebulosidade. Lia e seu corpo as...

Pandora e a liberdade de ser

Quem já não ouviu ou se encantou com a linda figura chamada de Pandora, retratada em imagens, abrindo uma caixa misteriosa. Expressão comum dizer : o que você esconde na sua caixa de Pandora?  Essa figura mítica foi criada no  tempo em que as religiões eram politeístas, se acreditava em vários Deuses. A pluralidade de deuses fez germinar lendas lúdicas e belas no século  VII a.C. Pandora talvez fosse nesse tempo antes da era cristã o equivalente a figura de Eva criada pelo Deus cristão.  Quantas interpretações demandam dessa história. A figura mítica de Pandora tem servido de referência para versões das mais diversas dentro da Psicologia e outras ciências. O feminino, que é a mãe, a origem de todas as vidas humanas, sendo o mediador, guardador de todos os males. Também ao feminino caberiam todas as culpas em uma sociedade patriarcal, afinal Pandora abriu a caixa vítima de sua curiosidade. Mas também libertou-se do jugo dos deuses soltando da caixa sentimentos, emoçõ...

Cruzes

  Sempre tivera medo de cruzes. Medo não. Uma espécie de desprezo, como se uma fraqueza de espírito levasse alguém a uma  sensibilidade afetiva por cruzes.  Cruzes no peito, na parede, tatuadas. Antes do cristianismo existiam as cruzes sim, desprovidas do caráter emocional criado depois da morte de Jesus. Mas isso não importava. Uma altivez acompanhava Vania. Se encontrava no rol daqueles que achavam não precisar de cruzes. Apoios religiosos, nenhum de seus símbolos. Se colocava no papel de quem observa as tentativas humanas de projetar seus medos em objetos místicos, amuletos de sorte. Mas no fundo queria poder sentir alguma emoção religiosa. Sómente quando olhava o verde, raízes, árvores, terra, sentia-se perto de Deus. Pois nunca sentira o toque de Deus. A possibilidade de que uma força maior inexplicável, onírica, absoluta, infinita estivesse por trás de tudo. Mas as cruzes eram definitivas. Altruístas na sua geometria do sofrimento. Vania estava destinada a nunca alc...