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Pandora e a liberdade de ser

Quem já não ouviu ou se encantou com a linda figura chamada de Pandora, retratada em imagens, abrindo uma caixa misteriosa. Expressão comum dizer : o que você esconde na sua caixa de Pandora?  Essa figura mítica foi criada no  tempo em que as religiões eram politeístas, se acreditava em vários Deuses. A pluralidade de deuses fez germinar lendas lúdicas e belas no século  VII a.C. Pandora talvez fosse nesse tempo antes da era cristã o equivalente a figura de Eva criada pelo Deus cristão. 

Quantas interpretações demandam dessa história. A figura mítica de Pandora tem servido de referência para versões das mais diversas dentro da Psicologia e outras ciências. O feminino, que é a mãe, a origem de todas as vidas humanas, sendo o mediador, guardador de todos os males. Também ao feminino caberiam todas as culpas em uma sociedade patriarcal, afinal Pandora abriu a caixa vítima de sua curiosidade. Mas também libertou-se do jugo dos deuses soltando da caixa sentimentos, emoções e desejos reprimidos. Assim somos  feitos, de contradições. Compreender e aceitar isto, é saber encontrar um caminho de sabedoria e equilíbrio, abrindo nossas caixas de pandora sem receio.

Coragem para  desvendar nosso inconsciente que só nos chega sorrateiro através dos sonhos. Mas como deveremos abrir nossa caixa de Pandora? Lá se encontram todos os nossos mistérios, que nos custam decifrar. É libertador confrontar estes medos, enfrentar tudo o que nossa curiosidade permita desvendar e se possível aprimorar essas emoções para um bem maior: nossa missão humana enquanto estivermos vivos. 

Só assim poderemos ter  controle eficaz sobre tudo que nos é revelado. Quando finalmente tivermos coragem de olhar e libertar nossos desejos, objetivos, apesar das adversidades. De  dentro de nós ou de nossa "caixa" onde nos encontramos aprisionados pela rotina, pela dificuldade em tomar as decisões certas, pela falta de alegria. Entre as coisas que "voaram" para fora da caixa  estavam a  inveja, rancor, ódio,  pobreza e morte, mas também a esperança, a delicadeza, o respeito por nós e pelos outros. 

Atualmente a mensagem do mito da caixa de Pandora tenta refletir como a curiosidade que permitiu a abertura da caixa, pode trazer consequências complexas naquilo que ainda não sabemos decifrar, nossos mistérios, inquietações, habilidades, propósitos. Mas será  um belo  risco cometer esse  que foi o delito de Pandora, apesar da advertência dos deuses, abrir o baú de nossa vida libertando males e belezas. Mas sabendo fazer boas escolhas  e através de conexões sociais, compartilhar nossas  ideias e contradições. Não guardando para si próprio o que não consegue administrar. Graças a Pandora e a sua incontrolável curiosidade  podemos conviver com uma infinita  gama de emoções. 

Viva Pandora!  

Artigo publicado na minha coluna  mensal  Jornal A Voz do Porto

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