Pular para o conteúdo principal

Recupere o brilho no olhar


Via de regra nos sentimos presos a algo ou a alguém. A rotina interminável dos dias em que tomamos o metrô todas as manhãs para ir ao trabalho, aquele emprego onde você não pode dar tudo de si como gostaria. Sente-se preso, como se estivesse encarcerado. Aquela dificuldade enorme para fazer amigos quando tudo parece suspeito. Aquela preguiça fenomenal para tudo e quando tudo parece tão difícil e o raciocínio lento como um verme doente. Fica-se buscando as causas para tanto desalento. O mau humor crônico é permanente. As tarefas mais simples parecem que duram uma eternidade. Nesse contexto a maioria das pessoas tenta buscar saídas com o uso de remédios antidepressivos para conseguirem um pouco de alegria. Para extraírem um pouco de prazer das suas vidas rotas e tediosas. Estariam estas pessoas fugindo da realidade? Porque tantos seres humanos não conseguem ? Esses remédios muitas vezes quando receitados em situações onde outras saídas poderiam ser buscadas acabam por criar uma falsa serenidade. Na pior das hipóteses o melhor é deixar o corpo encontrar suas saídas mesmo que a custa de uma revolta interna. Na raiz uma insatisfação pode ser a causa para tantos males. Se o emprego não lhe satisfaz o melhor é não ter medo da mudança, se o parceiro já está no limite do suportável quem sabe não seria a hora de não ter medo de um rompimento. Tente buscar a causa dessa infelicidade e antes de correr para tentar injetar alquimias em sua serotonina olhe-se de frente sem medo do que vai encontrar. É claro que vai ver e ter de conviver com tudo o que detesta em si próprio para o resto da vida isso não tem remédio. Mas antes um brilho no olhar do que um sorriso patético. 

                                         Não corra para as pílulas antes de correr na pista

Postagens mais visitadas deste blog

Uma mulher prisioneira

* sobre a fantasia amorosa ou dependência emocional* Via a s pessoas voltando às suas casas, loucas por um banho, um cheiro de sabonete,  coisas familiares. O arrepio. Via a eles dois, lutando indefinidamente. A bondade e o egoísmo, o branco e o negro, o romantismo e o sarcasmo. Percebia  que ele   já não suportava essa perseverança. Mas Llia  tínha medo. Medo da solidão. De não conseguir concretizar planos e projetos, um sem o outro. Ela sem ele, sem seu olhar, sua atenção. Talvez fosse o amor disfarçado em uma das suas mil formas. As pessoas são tão simples e tão cruéis, pensava Lia.  Como acreditar nos vizinhos, nos transeuntes, naquele senhor idoso que descansava sob a cadeira, na calçada? Como acreditar  naquelas tuas maduras constatações sobre humanidade? Era uma guerra genuína e maluca entre casais, entre vizinhos pela alegria de manter princípios. Um foguete atravessava um céu  carregado mas sem nuvens, sem nebulosidade. Lia e seu corpo as...

Cruzes

  Sempre tivera medo de cruzes. Medo não. Uma espécie de desprezo, como se uma fraqueza de espírito levasse alguém a uma  sensibilidade afetiva por cruzes.  Cruzes no peito, na parede, tatuadas. Antes do cristianismo existiam as cruzes sim, desprovidas do caráter emocional criado depois da morte de Jesus. Mas isso não importava. Uma altivez acompanhava Vania. Se encontrava no rol daqueles que achavam não precisar de cruzes. Apoios religiosos, nenhum de seus símbolos. Se colocava no papel de quem observa as tentativas humanas de projetar seus medos em objetos místicos, amuletos de sorte. Mas no fundo queria poder sentir alguma emoção religiosa. Sómente quando olhava o verde, raízes, árvores, terra, sentia-se perto de Deus. Pois nunca sentira o toque de Deus. A possibilidade de que uma força maior inexplicável, onírica, absoluta, infinita estivesse por trás de tudo. Mas as cruzes eram definitivas. Altruístas na sua geometria do sofrimento. Vania estava destinada a nunca alc...

Amores fakes

Neste período em que nos vemos tolhidos da liberdade de transitar livremente, acabamos por descobrir nichos que estavam ocultos , preguiçosos em um canto da mente ou da casa.Nichos ou partes de nós que seguiam a espreita em busca de uma oportunidade para ressurgirem e terem a sua chance de mostrar alguma atividade.  Fiz uma lista das coisas que deveria fazer hoje,parece simplista, mas está dando certo. Tenho me visto perdida entre os muitos afazeres ou um deixar-me estar. Achava bobo quando ouvia influencers de auto ajuda discernirem sobre como conseguir sucesso na vida.Todos quase sempre citam este artifício: fazer uma lista. Mas quantos listas fazemos e não cumprimos. Mas agora somos nossos patrões. Portanto temos que cumprir a lista! E encabeçando a minha  lista hoje está : escrever no blog. Eu não devo postergar , nem atropelar tarefas que podem parecer mais importantes depois de feita a tal lista. Preciso seguir a lista e ponto. Mas sobre o que deveria eu escrever h...