Era uma urgência de viver tão grande que não lhe permitia pensar. Era um vozerio de tanta gente em sua cabeça que não lhe permitia gostar das pessoas. Em alguns momentos até gostava, como do filho. Um amor dolorido por que de precisar . Precisar tanto que já não servia para nada. Se buscava nos espelhos, se refazia nos olhares que lançava as pessoas na rua. Quem eram aqueles seres costas recurvadas que tanto lhe apavoravam.? Estaria ficando louca talvez. Mas não tinha certeza. O que sabia era que precisava fazer. Agir. Ter coragem de se olhar no espelho e gostar de si mesma. Por que foram tantos erros que deixara de gostar.
Pulsão de morte, significante, signo, sexuação, palavras sedutoras...Houve uma época em que me envolvi com a Psicanálise profundamente.Talvez porque sua alma esteja no verbo, no verbalizar a neurose. Participava de cartéis, espécie de encontros semanais fechados onde um mentor, geralmente doutorando, figura respeitadíssima no meio, faz análise conjunta de livros e tópicos de publicações de Lacan ou relacionadas. A maior parte dos participantes já são psicólogos formados e terapeutas eu era uma curiosa ali por que os cartéis são abertos ao público, mas é preciso ser estudante de psicologia ou cara de pau como eu. Se se começa a estudar sobre Lacan fica-se um pouco louco.