Fui assistir La Piel que Habito de Almodóvar e me encantei com essa cantora. Gosto muito do flamenco e não tinha idéia de que haviam cantores dedicados com afinco a esse gênero. E me pareceu tão moderna, tão atual sua voz drámatica e rouca. Essa vertente fatalista que os espanhóis possuem frutificada e congelada pelos vários anos de didatura franquista. Que força que essa mulher possui em cena. As canções são melancólicas e nos fazem ficar frente a frente com nossas imperfeições humanas e nossa perenidade. Isso porque as letras falam de partidas, morte e tristezas. Ela se chama Buika.
* sobre a fantasia amorosa ou dependência emocional* Via a s pessoas voltando às suas casas, loucas por um banho, um cheiro de sabonete, coisas familiares. O arrepio. Via a eles dois, lutando indefinidamente. A bondade e o egoísmo, o branco e o negro, o romantismo e o sarcasmo. Percebia que ele já não suportava essa perseverança. Mas Llia tínha medo. Medo da solidão. De não conseguir concretizar planos e projetos, um sem o outro. Ela sem ele, sem seu olhar, sua atenção. Talvez fosse o amor disfarçado em uma das suas mil formas. As pessoas são tão simples e tão cruéis, pensava Lia. Como acreditar nos vizinhos, nos transeuntes, naquele senhor idoso que descansava sob a cadeira, na calçada? Como acreditar naquelas tuas maduras constatações sobre humanidade? Era uma guerra genuína e maluca entre casais, entre vizinhos pela alegria de manter princípios. Um foguete atravessava um céu carregado mas sem nuvens, sem nebulosidade. Lia e seu corpo as...