Hoje quando vinha pela rua um grupo de jovens na faixa de vinte e poucos anos vinha caminhando a minha frente alegre. Vestidos com roupas juninas pois estávamos em época de festas. Uma das moças falava ao telefone celular com outra dizendo "... estou falando aos meus pais que vou dormir na tua casa em Itaipava tá?". A moça estava instruindo a amiga sobre a mentira que estava dizendo ao pais. E falava com uma naturalidade tão fácil como se dissesse "...quando sair não esquece de bater a porta !" Mentiras: serão parte irreversível da relação de paternidade dos novos tempos?A menina ordenava alegramente para a amiga que certamente já estaria acostumada com isso, que mentisse sobre onde estaria naquela noite. E porque? Porque sempre existem aqueles lugares onde os jovens não podem estar, lugares proibidos. Para ficar uma noite fora a mentira tem que ser bem elaborada.Oque posso dizer a respeito da paternidade ? Aconselho a que pensem muito antes de decidir ter filhos. Nós pais seremos sempre o produto de todo o tipo de traumas inconscientes. Seremos sempre no futuro os culpados por alguma coisa de irreversível na personalidade de nossos filhos. Porque as palavras saem, os defeitos existem, porque afinal somos humanos.Mas depois das mentiras vem as verdades. O amor que foi lavado na briga e na raiva. Que tenhamos filhos mas é preciso saber que eles vão mentir porque em todos os tempos existe o novo que um pai não pode compreender.
Pulsão de morte, significante, signo, sexuação, palavras sedutoras...Houve uma época em que me envolvi com a Psicanálise profundamente.Talvez porque sua alma esteja no verbo, no verbalizar a neurose. Participava de cartéis, espécie de encontros semanais fechados onde um mentor, geralmente doutorando, figura respeitadíssima no meio, faz análise conjunta de livros e tópicos de publicações de Lacan ou relacionadas. A maior parte dos participantes já são psicólogos formados e terapeutas eu era uma curiosa ali por que os cartéis são abertos ao público, mas é preciso ser estudante de psicologia ou cara de pau como eu. Se se começa a estudar sobre Lacan fica-se um pouco louco.