Me dou ao luxo
de dançar escutando Jorge Drexler à toa. Luxo porque me entrego ao tempo
sem pensar no que fazer depois. Qualquer tarefa poderá ser adiada, nada
me dára medo. E a vida parece aberta para novas propostas e idéias.Acho
que isso é ser feliz, gostar de si próprio e saber da capacidade que se
tem para construir. Cada um tem um lugar nesse mundo e um caminho a
seguir. Alguns afortunados nasceram para serem menos anônimos que outros
pelo de novo e sincero que apresentam. Amar la trama más que el
desenlace canta Drexler. Isso é viver. O presente contém todas as
respostas. A trama é nosso livro escrito dia a dia com nossas incertezas
e desamores.Ás vezes perdemos o rumo e as estradas se bifurcam, ficamos
confusos. Mas quando voltamos ao passo nos sentimos mais fortes. É
preciso ser um pouco obcecado para chegar ao final mesmo com todos os
obstáculos. E essa força vem de dentro como um veio de um rio que não
seca nunca. É preciso ser romântico , entregar-se como o vento e
acariciar a natureza com a lucidez de nossa inteligência e emoção, pois
só assim a vida vale a pena.La vida no para no espera no avisa. Eu
danço.
Pulsão de morte, significante, signo, sexuação, palavras sedutoras...Houve uma época em que me envolvi com a Psicanálise profundamente.Talvez porque sua alma esteja no verbo, no verbalizar a neurose. Participava de cartéis, espécie de encontros semanais fechados onde um mentor, geralmente doutorando, figura respeitadíssima no meio, faz análise conjunta de livros e tópicos de publicações de Lacan ou relacionadas. A maior parte dos participantes já são psicólogos formados e terapeutas eu era uma curiosa ali por que os cartéis são abertos ao público, mas é preciso ser estudante de psicologia ou cara de pau como eu. Se se começa a estudar sobre Lacan fica-se um pouco louco.